A depressão de inverno (SAD)

A depressão de inverno (SAD)

24/10/2021 5 Por Pamella Callegari Claro
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Se você já morou ou mora fora do Brasil ou visitou países onde o inverno é longo e rigoroso ou ainda conhece pessoas que moram nesses lugares, é provável que já tenha ouvido falar na depressão de inverno, também conhecida como depressão invernal ou sazonal (en: SAD, Seasonal Affective Disorder – desordem afetiva sazonal; fr: dépression saisonnière, também chamada de trouble affectif saisonnier, ou ainda blues de l’hiver).

Embora o seu próprio nome sugira uma prevalência durante o inverno, ela ocorre nas estações onde há menos incidência de luz solar, com dias mais curtos e noites mais longas, o que inclui também o outono.

Porquê acontece

A luz solar tem grande influência e impacto no relógio biológico humano. Se por um lado a sua falta ou insuficiência diminui a produção da endorfina pelo corpo, uma substância antidepressiva natural responsável pela sensação de bem-estar e de alegria, de outro, sua incidência estimula a transformação da melatonina (que é um hormônio produzido durante o sono) em serotonina, o famoso hormônio da felicidade ou do humor.

Em outras palavras, quanto menos exposição ao sol, menos serotonina no organismo e, consequentemente, maiores as chances de uma pessoa, mesmo em plena saúde, apresentar quadros de depressão. Países com outonos e (ou) invernos longos e frios, como o Canadá, a Noruega e a Finlândia, costumam ser ambientes propícios para o desenvolvimento da depressão de inverno.

Sintomas

E quais são os sintomas que podem indicar uma possível depressão sazonal?

Em geral, há uma alteração perceptível e duradoura no humor e no sono, como dormir demais ou ter insônia, cansaço, fraqueza, falta de motivação para sair da cama, variações no apetite, dificuldades de se concentrar, baixa autoestima, irritabilidade ou apatia, sintomas que podem aparecer isolada ou conjuntamente.

Evidentemente, há outras enfermidades que apresentam esses mesmos sintomas. Portanto, é indispensável consultar um médico para um diagnóstico preciso e a prescrição do tratamento adequado, que poderá ser por meio da psicoterapia e (ou) medicamentos.

Vitamina D e Suplementos

Mulher tomando cápsula de Vitamina D

Já ouvi falar que a suplementação com vitamina D evita ou minimiza a depressão sazonal. Será que isso é verdade?

A vitamina D é apelidada de ‘A vitamina do Sol’. Isso porque ela é produzida pelo corpo quando o mesmo é exposto regularmente à luz solar.

Porém, como vimos, durante o outono e sobretudo durante o inverno, há uma menor exposição ao sol, o que invariavelmente repercutirá nos níveis de vitamina D no organismo. Idealmente, esta reposição deve ser feita por meio de uma maior e mais frequente exposição ao sol, porém, o mais comum é através de cápsulas de vitamina D. Mas aqui há um problema.

Sendo um suplemento vendido sem prescrição médica, a automedicação é perigosa, portanto, desaconselhada. Sugiro, sempre, o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado para analisar se a sua situação requer, ou não, esta suplementação.

Talvez umas férias para um lugar quente não seja uma má ideia em meio ao inverno intenso do polo norte, não é mesmo?

Você sabia?

Há depressão sazonal também no nosso Brasil tropical, sabia?

Pois é, nosso reflexo é achar que isso é lenda urbana. No entanto, conforme uma pesquisa feita pelo King’s College, da University of London, em média, 1% da população de países tropicais é afetada por essa depressão.

Não é, assim, incomum que pessoas nascidas em países tropicais que imigram para países com inverno mais longo precisem repor a vitamina D.

Outra informação interessante. Durante o outono e o inverno, os níveis de vitamina D caem especialmente por dois motivos:

  1. Como estamos mais distantes do sol, a intensidade dos raios é menor. É por isso que alguns dizem, ao ir para a praia no inverno (não tente fazer isso em Québec): “esse sol não queima nada!”;
  2. Nossa menor exposição aos já ‘fraquinhos’ raios solares é agravada pelo uso de roupas mais compridas, espessas e quase sempre em camadas, o que acaba impedindo o contato da pele com o Rei Sol.

Fontes e Referências

Autor

  • Sou uma Psicóloga viajante, imigrante no Polo Norte. Meu propósito? Ajudar outros imigrantes a manter a saúde mental longe de casa! Sonhos? Embrenhar-me mundo e culturas afora. Defeitos? Se nem a Psicologia é perfeita, claro que eu também não sou. Mas tenho muitas qualidades, viu? Meu lema, ou dilema, de vida? Viva o Agora! Que tal um 'papo cabeça' degustando um café quentinho? É por minha conta!

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